Golpes e fraudes em operações de venda de Lindens no universo virtual Second Life – Update : primeiro trimestre de 2012 – 2ª parte

Retomando os updates sobre minhas últimas experiências com estelionatários atuando no interior do universo virtual Second Life, chegou a hora de visitarmos novamente o histórico associado a uma golpista imediatamente reconhecida pelos usuários mais experientes, talvez a mais bem sucedida dentro dos círculos de brasileiros no metaverso.

O nome é Carina Bueno , de Campinas ( SP ), dona dos avatares Carina Brandi, Carina Asamoah e Bela Nansen. Logo abaixo, os três perfis; repare o leitor que trata-se de uma usuária experiente do Second Life.

Perfil de Carina Brandi no Second Life; avatar criado em 18 de Fevereiro de 2009.

Perfil de Carina Asamoah no Second Life; avatar criado em 14 de Fevereiro de 2009.

Perfil de Bela Nansen no Second Life; avatar criado em 10 de Novembro de 2009.

Depois de longa ausência e aparente interrupção dos “ negócios ” no metaverso, particularmente devido ao trabalho feito para denunciá-la em círculos diversos por ali, em meados do mês de Dezembro último, novamente identificamos Carina logada, passando à frente seus notecards com o seguinte texto :

Olá. Estou vendendo Lindens a 160 / 1.
Tenho também pacotes com descontos por tempo limitado.
Pacote com L$ 16.000 = R$ 100,00
Pacote com L$ 32.000 = R$ 200,00
Pacote com L$ 48.000 = R$ 300,00
Pacote com L$ 64.000 = R$ 400,00
Pacote com L$ 80.000 = R$ 500,00

Banco Itaú
Carina Alves
Carina Asamoah

MSN : carinaasamoah@hotmail.com
valor mínimo de compra de R$ 30,00

Obviamente logo após a menção ao Banco Itaú, são apresentados, no notecard, os dados de uma conta corrente aberta em uma agência na área central de Campinas ( SP ), e usada, já há um bom tempo, para perpetrar os golpes, uma vez que uma conta poupança usada anteriormente, da Caixa Econômica Federal, foi “ encerrada ”, após queixa feita por um publicitário de Fortaleza ( CE ), que perdeu R$ 450,00 em uma negociação para compra de L$ 85.000 com o avatar Carina Asamoah, já que os Lindens correspondentes jamais foram entregues. A transferência no valor mencionado foi feita no dia 30 de Maio de 2010, após algumas negociações que levaram o valor originalmente pedido pelos Lindens, de R$ 530,00, partindo de uma cotação de 160 / 1 ( L$ 160 entregues para cada Real pago ), para R$ 500,00, e, por fim, para os R$ 450,00 que foram covardemente roubados. Esse é um dos diversos usuários do Second Life que foram lesados por Carina, desde o último trimestre de 2009, ponto em que identificamos o provável início de sua atividade criminosa.

Para validar essa tese, tenho em meu inventário um comprovante digitalizado, referente a um depósito efetuado no dia 29 de Outubro de 2009, sete meses antes do caso anteriormente mencionado, portanto, apresentando a conta poupança da Caixa Econômica Federal mencionada há pouco, e um depósito de R$ 250,00, feito nessa mesma conta por um negociador de moeda instalado em Goiânia ( GO ), para a compra de L$ 50.000 naquela ocasião com o avatar Carina Brandi, num contexto que sugere que aquela talvez tenha sido uma das primeiras negociações naquele formato. Vale observar que a cotação resultante seria de 200 / 1 ( L$ 200 entregues por cada Real pago ), simplesmente fantástica para o “ comprador ”; aqueles eram outros tempos, realmente.

Uns poucos anos se passaram desde então, e estamos certos de que Carina atravessou um período bastante “ produtivo ”, levantando um bom dinheiro em dezenas de transações onde apenas um dos lados entregou o valor acordado, certamente, não o lado representado pela garota. Durante esse período, Carina “ aprendeu ” com a experiência e passou a “ encorajar ” compras menores, porque percebeu que quem perde valores menores, como R$ 50,00 ou R$ 70,00, tende a abandonar a questão e seguir em frente, em meio à frustração resultante da confirmação do golpe, enquanto alguém que perde R$ 300,00 ou R$ 400,00 tende a “ perturbá-la ” por longo período, na tentativa de reaver o valor.
Em notecards que preservam as conversas entre Carina e uma das pessoas enganadas, há um ponto em especial de que nunca me esqueço, onde ela diz, em meio às queixas da pessoa que não recebeu os Lindens, que “ não obrigou ninguém a fazer nada, não colocou um revólver na cabeça de ninguém ”, referindo-se ao depósito feito pela pessoa que se queixa. Realmente revoltante.

Voltando a Dezembro de 2011, poucos meses atrás, portanto, vemos Carina Asamoah logar em horários variados nos dias 21 e 22; no dia 23, lá esta ela novamente.
Ao final do mês anterior, Novembro, Carina visita o Second Life em algumas ocasiões, após meses de ausência, ao menos com os avatares que conhecemos. O avatar usado nesse retorno é Bela Nansen; no entanto, alertas são imediatamente veiculados através de diversos canais, avisando a todos os círculos possíveis que uma estelionatária bastante conhecida está circulando pelo metaverso. Carina se queixa a um contato no Messenger, dizendo que está sendo “ perseguida e caluniada ”. O avatar Bela Nansen é novamente “ posto por ela na gaveta ”. Somente em meados de Dezembro veremos Carina Asamoah conectar.

É dia 23 de Dezembro e o Natal está à porta. Carina é, na RL, como costumamos dizer, basicamente uma dona de casa, e quer dinheiro para comprar presentes de Natal, acreditamos que em especial para a filha de seis anos de idade, algo absolutamente normal nesse período. O problema aqui é que a escolha de Carina é tirar esse dinheiro de desavisados no interior do Second Life, roubando-os.

Eis que resolvo “ me dar um presente ”, então.
Já há alguns anos tenho mais de uma dúzia de números de telefone associados a Carina e a pessoas próximas a ela. Devo em especial a dois americanos, hoje mundialmente conhecidos, o meu muito obrigado pelos canais por eles concebidos, canais esses os mais importantes entre aqueles que usei para somar essas e outras informações significativas nesse caso : Jack Dorsey e Mark Zuckerberg.

Voltando ao meu presente.
Desloco-me de carro alguns quarteirões abaixo do ponto onde moro, ainda dentro do bairro, já que no ponto exato onde fica minha casa, meu aparelho Nextel não funciona em ordem, e faço uma ligação telefônica para a casa de Carina, em Campinas ( SP ).
Imediatamente após me ouvir, sua voz hesita, e sei que ela percebe nesse exato instante que essa não será uma conversa exatamente amigável.
Apresento-me usando o nome do meu avatar, e faço algumas perguntas, às quais ela responde com negativas e respostas esquivas. Carina sabe exatamente do que estou falando, mas como todo golpista covarde, vai se posicionar como vítima de assédio e calúnia, constrangida por acusações infundadas. Alguém que desconhece por completo seu histórico teria seu coração partido pela minha crueldade, apesar do tom ameno. A mensagem foi transmitida, e encerro a ligação.

É sempre muito prazeroso fazer esse tipo de contato; trazer algum “ desconforto ” a alguém que se valeu de artifícios realmente vergonhosos, covardes, para, em alguns casos, roubar umas poucas dezenas de Reais de usuários do universo virtual Second Life que buscavam comprar uns poucos Lindens, é algo gratificante.

Mais tarde, uma segunda ligação foi feita, ao observarmos que Carina Asamoah continuava a conectar, e nesse segundo contato, conforme esperado, o tom de Carina é outro, uma vez que certamente foi orientada por outros marginais, que são parte de seus círculos mais íntimos. Em tom ameaçador, Carina me confronta, e o tom de voz de ambos os lados sobe, deixando claro de minha parte que nenhuma tentativa de intimidação será efetiva. Dessa vez, a garota diz que eu deveria atender ao telefone, enquanto alguém, que certamente está ao seu lado, me liga simultaneamente; uma vez que não atendo, preferindo continuar meu “ papo ” com a estelionatária, um recado é deixado em minha caixa postal, conforme vou verificar mais tarde, num formato tipicamente usado por aquelas pessoas que fizeram todas as escolhas erradas na vida, e que agora circulam por espaços escuros, onde valores como honestidade e respeito estão absolutamente ausentes; trabalhar, produzir, construir um histórico positivo e prosperar não são opções aqui.
Em momentos como esse, uma mesma palavra me vem : patético.

O recado anterior é repassado a Carina e reforçado. Deixo claro que há muitos olhos sobre ela, e não apenas no Second Life.
Seu discurso é confuso e raivoso, num tom alterado, que mistura ameaças e alguma religiosidade desfigurada. Em dado momento, conforme mencionei em texto anterior, ela se diz “ abençoada ”. Não pude conter meu riso; obviamente ela fica furiosa. É curioso ver como um número significativo de pessoas que devotaram suas vidas à prática de crimes em formatos variados, com frequência invocam inspiração ou valores religiosos para se apresentarem como “ protegidos ” ou “ escolhidos ”. Haveria alguma predileção por parte da Providência para com os “ caídos ” ?
Encerramos a conversa; não são trocados votos de um Feliz Natal.

Naquela mesma noite e nos dias subseqüentes, recebo diversas ligações vindas de números de telefone que me são estranhos. Em umas poucas ocasiões, atendo, mas a pessoa do outro lado apenas me ouve. Já próximo dos meus quarenta anos, devo lembrar que joguinhos psicológicos pobres, em formatos nessa linha, infelizmente para quem os perpetra, são inócuos.
Ao ler esse último trecho, Carina, oriente por favor seus familiares, amigos ou contatos, que seria mais interessante me ligarem em horário comercial, quando normalmente estou em regiões onde meu aparelho Nextel funciona com perfeição. Salvo em ocasiões onde estou em alguma reunião de trabalho, certamente vou atendê-los. Teria sido um prazer conversar longamente com eles na véspera de Natal.

Numa próxima ocasião em que eu vier a contatar Carina, imagino que novos números de telefone apresentem-se como opção, partindo da referência de que consultas foram feitas pela operadora Vivo e por lojas de telefonia, ao seu histórico junto a organismos de proteção ao crédito, por quatro vezes no intervalo entre o início de Dezembro último e o início de Janeiro.
Preciso me lembrar de tomar nota desse detalhe.

Para encerrar, quero deixar um pedido para pessoas com as quais eu ainda não tive a oportunidade de conversar, e que foram lesadas por Carina, e não apenas por ela, em negociações para compra de Lindens.
Manifestem-se.
Estou certo de que será prazeroso colaborar com aqueles que trabalham no sentido de dificultar a atuação dessa horda covarde no interior do Second Life.

Que nossas experiências no interior do universo virtual possam seguir no melhor dos formatos.

Grande abraço a todos.

Kallikrates Stenvaag
Kallikrates Stenvaag é residente do metaverso
Second Life desde Junho de 2007
; atua como
instrutor e palestrante, falando sobre plataformas
x86 na RL.

Golpes e fraudes em operações de venda de Lindens no universo virtual Second Life – Update : primeiro trimestre de 2012 – 1ª parte

E eis que chega o momento de compartilharmos nossas experiências mais recentes envolvendo fraudes e golpes, ou tentativas de aplicá-los, no interior do universo virtual Second Life, perpetrados por estelionatários atuando em uma nova plataforma na Internet, na absoluta maioria dos casos, em operações que envolvem venda de Lindens.

O caso que quero documentar nesse primeiro texto não é exatamente “ recente ”, e envolve um garoto na faixa de 20 anos de idade, de São José, cidade que teve sua malha urbana unificada à da cidade de Palhoça, em Santa Catarina. Uma vez que nossa legislação tem o péssimo hábito de proteger o criminoso em face de alguma “ exposição constrangedora ”, vamos preservar seu nome completo. Conforme o leitor avança pelo texto, vai entender por que um caso que se passou há pouco mais de seis meses é mencionado apenas agora.

No dia 31 de Julho de 2011, recebi através de uma conferência no interior do metaverso, uma mensagem que dizia que o avatar Slide Devin tinha L$ 250.000 ( duzentos e cinqüenta mil Lindens ) disponíveis para venda, após ter vendido seus negócios no Second Life.
Procurei o avatar Slide Devin e manifestei meu interesse pelos Lindens; como de costume, pedi a Slide que me fornecesse um número de telefone fixo para contato. É óbvio que eu não faria uma transferência ou depósito de pouco mais de R$ 1.500,00 para uma conta bancária qualquer, sem antes conversar longamente com a pessoa por trás do avatar e somar uma série de informações e referências sobre ela. Um número fixo me foi fornecido, de uma cidade vizinha a Recife ( PE ).

Perfil de Slide Devin no Second Life; avatar criado em 04 de Março de 2008.

Após breve conversa com Slide via MI, e com o número em mãos, ambos nos despedimos e desconectamos quase que simultaneamente, fechado o acordo para contato telefônico uns poucos minutos depois. Feita a ligação, o número se mostrou fora de serviço, e, a partir daquele ponto, passaram-se semanas sem que eu pudesse encontrar novamente o avatar Slide Devin conectado, para esclarecer a questão, ainda que eu faça uso de ferramentas diversas que me permitem localizar avatares supostamente Offline, mas que estão conectados. Na conversa via MI, em que me foi passado o número de telefone, também foi mencionado o avatar Adil Lewsey, com o qual Slide Devin teria feito negócios em diversas ocasiões, podendo portanto me fornecer as referências necessárias. Feita a devida verificação, confirmamos que o avatar Adil Lewsey não logava há pouco mais de um ano.
Parece haver algo errado aqui, não ?

Perfil de Adil Lewsey no Second Life; avatar criado em 19 de Janeiro de 2008.

Aproximadamente vinte dias depois, lá para meados de Agosto, sou abordado por um avatar chamado RhiannaLynn Lane, que me oferece L$ 195.000 ( cento e noventa e cinco mil Lindens ) a uma cotação muito atrativa. A conta bancária na qual deveria ser feito o depósito correspondente, no Banco Bradesco, pertencia a um garoto de Palhoça ( SC ), de primeiro nome Filyphe, incomum, escrito exatamente dessa forma. Importante lembrar : até esse ponto, a única referência sobre a localização da pessoa por trás do avatar Slide Devin, com quem eu havia conversado aproximadamente vinte dias antes, era um número de telefone fixo inativo, associado a um endereço próximo a Recife ( PE ). Nenhuma relação imediata entre as pessoas por trás dos avatares Slide Devin e RhiannaLyn Lane, portanto.
Os negócios seguem.

Perfil de Rhiannalynn Lane no Second Life; avatar criado em 24 de Abril de 2007.

As conversas com RhiannaLyn Lane continuam por aproximadamente uma semana, sempre via MI, em mensagens curtas, em sua maioria, trocadas “ Offline ” , uma vez que, após o primeiro contato, nossos horários logados quase não coincidiam. Ao longo dessa semana, pedi que me fosse cedido um número de telefone para contato ou ao menos a referência para contato via Skype. RhiannaLyn disse estar nos Estados Unidos, o que no entendimento dela dificultaria o contato telefônico, e que não era uma usuária do Skype. Em meio à recusa de RhiannaLyn em abrir um canal mais efetivo para comunicação, encerrei o contato, obviamente frustrado, e segui minhas atividades.
Ainda que as negociações não tenham caminhado, RhiannaLyn Lane chegou, conforme mencionei, a me passar dados bancários de um garoto chamado Filyphe; saímos então à procura de informações sobre essa pessoa, usando “ n ” canais na Internet. Com um nome de grafia tão incomum, imaginamos que seria relativamente fácil localizar seus perfis em redes sociais diversas, e em outras bases de dados.
Estávamos certos. Após encontrarmos uma série de informações sobre Filyphe, abrimos os canais corretos e fizemos contato com ele, via e-mail, e pouco tempo depois, por telefone. Conforme esperado, descobrimos que, apesar de não ser um usuário assíduo do Second Life, Filyphe tem um avatar, chamado Filyphe Resident.

Perfil de Filyphe Resident no Second Life; avatar criado em 15 de Fevereiro de 2011.

Na noite anterior à data do primeiro contato com Filyphe via e-mail, fui procurado por uma vendedora de Lindens atuando já há alguns anos no Second Life, pesadamente envolvida com a locação e venda de ilhas e suas frações, e contato meu de longa data, que vem me perguntar sobre um avatar chamado Marita Overland, que a teria envolvido em fraude relacionada à compra L$ 230.000 ( duzentos e trinta mil Lindens ). Cabe preservar seu nome.
A vendedora de Lindens em questão, fez uma transferência de R$ 1.000,00 para uma conta na Caixa Econômica Federal, de um total de R$ 1.400,00 inicialmente acordados para a compra de L$ 230.000 com Marita Overland, que por sua vez lhe entregou todos os L$ 230.000 por volta das 21h00 do dia 22 de Agosto, antes mesmo que os R$ 400,00 restantes fossem transferidos para a conta bancária fornecida. A vendedora de Lindens teria que aguardar até por volta das 03h00, já na madrugada do dia 23 de Agosto, para que pudesse transferir os demais R$ 400,00, devido aos limites para operações dessa natureza impostos pelo banco. O problema é que, pouco depois da meia-noite do dia 22 de Agosto, seu avatar foi “ derrubado ”, e eis que é entregue em sua caixa de e-mails, um comunicado da Linden Lab, avisando que sua conta havia sido colocada em “ suspensão administrativa ”.

Perfil de Marita Overland no Second Life; avatar criado em 24 de Julho de 2009.

O que isso significa ?

Àqueles que somaram alguma experiência com compra e venda de moeda no interior do Second Life, o ponto é muito óbvio. Ainda que a Linden Lab, como de costume, seja vaga e superficial em suas mensagens, sabemos que em casos assim, a pessoa de quem se comprou os Lindens, certamente os adquiriu no Linden Exchange ( Lindex ) usando dados de cartão de crédito roubados. A fraude está associada ao cartão de crédito, e não exatamente aos Lindens; feita a queixa pelo proprietário do cartão à operadora, e passada essa informação à Linden Lab, todos aqueles que fizeram negócios com o avatar responsável pela operação no Lindex, terão suas contas “ suspensas até segunda ordem ”, ou colocadas em suspensão administrativa, expressão usada pelo pessoal de suporte da Linden Lab.

Conversei longamente no Skype com a vendedora de Lindens, que naquele momento, estava imensamente incomodada, claro, com a idéia de perder seu avatar principal, de longos anos, e trocamos inúmeras informações, conversas registradas em notecards e referências diversas. Entre as informações está o nome do proprietário da conta bancária da Caixa Econômica Federal, para a qual a vendedora de Lindens efetuou a transferência de R$ 1.000,00, conforme orientação do avatar Marita Overland. O correntista é Josino, de São José ( SC ); vamos usar apenas seu segundo nome.
No dia seguinte, em meio ao contato com Filyphe, conforme avançam a troca de e-mails e os telefonemas, surge uma história quase inacreditável, que envolve o uso de conta bancária de um “ laranja ”, e um golpista que é simplesmente um garoto, jovem, porém, como foi possível confirmar, montado o quebra-cabeças, muito talentoso, é preciso admitir. Compiladas todas as informações que nos foram passadas por Filyphe, surge o real golpista que usou o avatar RhiannaLyn Lane. Josino é o nome.
Muita informação ?

Vamos aos devidos esclarecimentos.
Josino na verdade é colega de trabalho de Filyphe. Ambos trabalham em uma grande concessionária e loja de peças para caminhões em São José ( SC ). Ao que parece, não são exatamente amicíssimos, e não participam de uma série de atividades ou compartilham experiências fora do ambiente de trabalho, mas são “ amigos ”. Ambos são garotos na faixa de 20 anos. Josino pediu a Filyphe, no momento em que essa história se passa, que cedesse a ele sua conta bancária, para que um suposto depósito endereçado a ele, Josino, fosse feito nela, já que a conta bancária do próprio Josino, segundo ele, estaria com saldo negativo muito alto, e o valor “ se perderia ”, caso o depósito não fosse feito na conta de um terceiro. Filyphe prontamente cedeu seus dados bancários a Josino, que então, segundo apuramos, usou o avatar de um terceiro, RhiannaLyn Lane, para me abordar e fazer a oferta de L$ 195.000. Pouco tempo depois, usou o avatar Marita Overland para abordar e fazer negócio com a vendedora de Lindens que mencionei, em uma operação que envolveu a venda de L$ 230.000.

Enquanto as conversas prosseguem, consegui contato novamente com o avatar RhiannaLyn Lane, e conversei longamente com ela . Dessa vez, nenhuma mensagem via MI em português, e a pessoa usando o avatar, ficou claro em nossa conversa usando voz, era uma americana, que mostrou-se surpresa e disse não ter absolutamente nenhum conhecimento do uso de seu avatar por qualquer outra pessoa, e que nunca havia feito contato comigo anteriormente.
Muito Impressionante !

Segundo apuramos posteriormente, Josino capturou login e senha de avatares de terceiros, através do uso de um site “ fake ”, que disponibilizava conteúdo relacionado a moda no interior do Second Life, site esse “ agenciado ” pelo XStreet, segundo nos foi informado, usando posteriormente os avatares aos quais “ ganhou acesso ”, na abordagem em que me ofereceu L$ 195.000, RhiannaLyn Lane, e nas “ conversas Offline ” daquela semana.
No caso que envolve a vendedora de Lindens que foi prejudicada pelo avatar Marita Overland, a pessoa por trás do boneco também é Josino. Nesse caso, ele realmente ousou, e passou à vendedora de Lindens os dados de sua conta pessoal da Caixa Econômica Federal.

A troca de e-mails e telefonemas com Felyphe é intensa e, nesse momento, já localizamos Josino através de dados dispersos pela Internet, e estamos em contato com ele, também via e-mail e telefone. Novas informações nos são cedidas também por ele, após deixarmos bem claro que uma denúncia formal seria feita, se não obtivéssemos sua total colaboração. Um garoto inteligente na faixa de vinte anos certamente não quer ser “ fichado ” e questionado pelas autoridades. Além disso, uma vez cruzadas as informações que chegam, confirmamos algo de que já suspeitávamos : Josino é a pessoa por trás do avatar Slide Devin, que pouco menos de um mês antes do meu contato com RhiannaLyn Lane, anunciou L$ 250.000 disponíveis para venda em conferências de grupos diversos.
Adil Lewsey, o avatar que supostamente poderia fornecer referências sobre Slide Devin, logou, depois de pouco mais de um ano inativo, no dia 03 de Setembro. Obviamente o contatei imediatamente. Quem era a pessoa conectada com o avatar ? Josino, claro.

Um estelionatário atuando em diversas frentes, multifacetado, usando avatares seus e de terceiros.

Foi fechado um acordo com Josino e, no dia 5 de Setembro, os R$ 1.000,00 que haviam sido transferidos a ele pela vendedora de Lindens foram “ devolvidos ”. Vitória muito importante.
Poucos dias depois, após intensa troca de e-mails e telefonemas com a Linden Lab, a vendedora de Lindens recupera também o avatar, até ali sob suspensão administrativa. Excelente !
Diversos alertas e comunicados foram veiculados no interior do Second Life, buscando impedir que casos assim se repitam.
A partir desse ponto, o caso foi a segundo plano, em meio às questões que nos consomem no dia-a-dia, fora do PC; de forma alguma foi esquecido.

Passados cinco meses, sigo atendendo compromissos de trabalho por todo o país. Surge então, a oportunidade de ir a Palhoça ( SC ), para ministrar treinamentos.
Aproveito a passagem pela cidade e, no dia 3 de Fevereiro, sexta-feira passada, por volta de 11h00, me desloco em uma “ brecha ” em minha agenda, para São José, há poucos minutos de onde estou hospedado. Entro em uma concessionária de caminhões e pergunto em um balcão de atendimento da área de venda de peças se Josino está por ali, e me apontam um garoto no outro extremo do balcão, que me atende prontamente.

Feita a devida apresentação, o prazer é enorme ao ver a expressão de absoluto constrangimento de Josino, que responde a algumas perguntas minhas, feitas em tom absolutamente ameno, sobre o episódio dos golpes e tentativas no interior do Second Life usando avatares diversos, com explicações desencontradas, que não fazem muito sentido. É mencionado inclusive, um avatar dele de que havíamos nos esquecido, Leonardo Runner, conta “ perdida ”, com perfil que não é possível consultar através das ferramentas de busca dos viewers que usamos, certamente suspensa em episódio anterior envolvendo golpes e( ou ) fraudes. A conversa é rápida, e ao final, digo que voltaremos a nos falar pessoalmente em breve. Tenho uma câmera fotográfica em mãos, mas opto por não usá-la, para evitar alguma situação desagradável, uma vez que outras pessoas que ali atuam já me olham com algum desconforto estampado em seus rostos.
O garoto está incomodadíssimo e sai imediatamente da área de atendimento através de uma porta, sem olhar para trás. Procuro por Filyphe, que, conforme mencionei anteriormente, também trabalha ali, mas me informam que não está disponível naquele momento, ocupado na “ chaparia ”, e que deve retornar em meia hora, aproximadamente.
Agradeço e retorno ao táxi, para retomar minha agenda do dia, em Santa Catarina.

Perfil de Leonardo Runner no Second Life; avatar criado em 27 de Março de 2009.

É de um prazer indescritível mostrar a pessoas como Josino que elas não são intocáveis, que podem sim ser localizadas e questionadas, por alguém que tentaram roubar, “ mascaradas ” atrás de um avatar, atuando a partir de uma ilha ou sandbox supostamente “ segura ”, madrugada adentro.
Em outros casos envolvendo fraudes e golpes no interior do Second Life em formatos parecidos, temos informações em quantidade e qualidade simplesmente inacreditáveis, sobre as reais pessoas por trás dos bonecos, e nesse momento, seguimos estudando os formatos mais efetivos para denúncias formais contras essa horda covarde, torpe e de caráter deturpado, formada por pessoas que chegam ao ponto de se dizerem “ abençoadas ” quando confrontadas, como no caso de Carina Bueno, velha conhecida nossa, com quem tive o enorme prazer de falar ao telefone em ocasião próxima do Natal de 2011.
Patéticos.

Em um país onde a construção de uma legislação contra crimes praticados na Internet ainda engatinha, avançando em ritmo frustrante, é preciso enorme paciência e perseverança àqueles que optaram por ceder parte de seu tempo à tarefa de dificultar o avanço de “ ratos ”, nos círculos onde atuam.

Fica meu abraço a você, Josino, quando vier a ler esse texto. Que sua saúde siga perfeita, para que possamos voltar a conversar pessoalmente em tempo não muito distante.

Em breve, retorno com novos casos que vale compartilhar, sempre no intuito de alertar os desavisados que, inocentes, podem em algum momento ceder a uma oferta feita por degenerados como a personagem principal desse texto, sendo lesados no interior do universo virtual Second Life, algo que certamente não é o que estamos procurando por ali.

Grande abraço a todos.

Kallikrates Stenvaag
Kallikrates Stenvaag é residente do metaverso
Second Life desde Junho de 2007
; atua como
instrutor e palestrante, falando sobre plataformas
x86 na RL.

Perfis e identidade

Em meio à jornada explorando as possibilidades riquíssimas que o universo virtual Second Life oferece, do uso como plataforma para projetos ligados à educação, arte, música, à criação e modelagem de bens virtuais de todos os tipos, voltados posteriormente a atender necessidades que se manifestam nos mais variados contextos, aos negócios em “ n “ formatos, que geram renda “ real ”, para surpresa de muitos, e a um sem número de outras possibilidades, voltou a nos chamar a atenção mais recentemente, ainda que esse seja um tópico discutido há muito tempo, a questão dos perfis criados pelos usuários brasileiros do metaverso, para se apresentarem.

Perfis são valiosíssimos. Muitos brasileiros que se conectam todos os dias ao Second Life e ali passam longas horas, infelizmente ainda não se deram conta do valor de seus perfis.

Através do perfil, num universo habitado por pessoas de todos os cantos do planeta, representando as mais variadas culturas, nos apresentamos ao mundo. Um perfil nada mais é que um cartão de visitas. O perfil chega antes de você e o apresenta, antes que você possa fazê-lo com as outras linguagens que compõem o existir.
Você existe primeiramente, no perfil.

Temos a oportunidade, através dele, de apresentarmos nossas preferências, nossas áreas de interesse, esportes que praticamos ou com os quais simpatizamos, áreas de estudo às quais devotamos boa parte de nossas vidas, de comentarmos ou apresentarmos nossa formação ou, possibilidade fantástica, apresentarmos algum projeto ou projetos com os quais tenhamos envolvimento no interior do metaverso, seja qual for nossa atividade ou área de negócios, além de espaços que se destacaram em nossa experiência explorando o universo virtual.

Ao longo de quatro anos de experiência, me lembro de ter, em diversas ocasiões, “ visitado ” perfis muito interessantes, bem construídos, que me permitiram conhecer e adicionar aos meus círculos de contatos, construtores talentosos atuando no interior do grid, criadores e especialistas em modelagem 3D, músicos, curadores de galerias de arte e claro, artistas, educadores alavancando projetos apoiados por universidades, scripters, terraformers, líderes de clãs à frente de grupos explorando ilhas voltadas a RPG ( Role Playing Game ), entre tantos outros. Obviamente, também pessoas de formação simples, ou sem envolvimento com projetos elaborados, porém com perfis amigáveis e bem construídos, e que mostraram-se contatos divertidos e interessantes, nada devendo a advogados, engenheiros, arquitetos, empresários e outros, passaram a fazer parte de meus círculos. Entre todos os “ perfis ” mencionados, alguns tornaram-se realmente amigos, e estão entre meus contatos mais valiosos já há alguns anos.

Em paralelo, e infelizmente, mais freqüentemente nos últimos tempos, vejo perfis que “ atacam ” aqueles que os visitam, carregados com ofensas e mensagens que buscam “ expulsar ” os visitantes, no mínimo desencorajando qualquer tipo de aproximação.
Ocorre-me certa curiosidade; muitas dessas pessoas certamente têm perfis em redes sociais diversas, como Orkut, Facebook, e mais recentemente, Google+. Será que também nessas redes, seus perfis são criados com o propósito declarado de atacar e ofender qualquer um que o acesse ? Certamente não. Então por que fazê-lo no Second Life ?

Não faz o menor sentido imaginar que certos usuários criam suas contas, “ equipam ” seus avatares, muitas vezes, investindo ali valores consideráveis em skins e shapes sofisticados, entre tantos outros itens, e iniciam sua experiência construindo círculos de contatos e explorando espaços diversos, para então, em dado momento, construírem perfis que transmitem mensagens no sentido de que não querem contato algum, e que qualquer tipo de aproximação será repudiada e tratada como “ invasiva ”. O posicionamento me parece muito pouco inteligente, para usar uma expressão amena.
A esses, somam-se os que mantêm seus perfis absolutamente em branco, longamente em alguns casos, apavorados com a possibilidade de que possam um dia ser identificados.

De que se trata nesse caso ?

Obviamente todos têm o direito de preservarem certos aspectos de sua vida privada, mas avaliando com um pouco mais de cuidado os casos extremos, em que determinados usuários constroem no interior do grid toda uma vida, negócios e vínculos, e dedicam longas horas de seus dias ao Second Life, sem que nem mesmo seus contatos mais próximos tenham a menor idéia de quem se trata, me parece que aquele avatar nada mais é que um “ fantasma ”, construindo ali uma experiência nula. Se por algum motivo, esse usuário for obrigado a deixar o metaverso, triste imaginar, seu legado é “ zero ”, e seus contatos mais queridos podem nem mesmo ter a oportunidade de contatá-lo através de outros canais.
Ainda quando falamos de perfis em branco, vale mencionar os casos onde o metaverso será usado para a satisfação dos vícios mais vis e como plataforma para as contravenções mais óbvias. Nesse caso, o anonimato é fundamental. E aqui, já não encontramos agressividade, apenas o mais absoluto “ silêncio ”.

As razões que fazem com que o falar de si fique comprometido são sempre relacionadas a uma despersonalização individual, claramente presente em perfis com mensagens em letras garrafais que nos apresentam um “ RL = RL, SL = SL ”. A agressividade aparece muito claramente em muitos dos perfis de pessoas que fizeram este tipo de escolha.

Estou certo de que quando Philip Rosedale, cercado pela meia dúzia de especialistas em áreas diversas que contratou em 1999, começou a conceber o Second Life, certamente não apoiava a idéia de que os habitantes desse novo universo optassem pela “ não-identidade ” ou por identidades fantasma. Posicionamento pobre, sem dúvida, dadas as possibilidades tão positivas ali disponíveis.

O perfil é uma projeção. A incapacidade de falar de si mesmo seguramente é mais do que falta de capricho.
Não há receitas de como melhor se apresentar. Buscando uma experiência mais positiva no interior do Second Life, vale revermos, todos nós, nossos perfis.

Expostos todos esses pontos de vista, reunidos ao longo de diversas discussões em nossos círculos de contatos, creio que acima de tudo, o que fica, é a reflexão.
Talvez, em alguns casos, uma dura e dolorida reflexão sobre quem somos nós.

Kallikrates Stenvaag
Kallikrates Stenvaag é residente do metaverso
Second Life desde Junho de 2007
; atua como
instrutor e palestrante, falando sobre plataformas
x86 na RL.

AmabileSciavo Olivieri
AmabileSciavo Olivieri é residente do metaverso
Second Life desde Junho de 2009
;
é psicóloga e atua na área de educação na RL.

Acessando o universo virtual Second Life a partir de um telefone celular sofisticado

Dado o crescente interesse dos usuários do universo virtual Second Life por novas ferramentas e aplicativos que lhes permitam conectar ao metaverso mais frequentemente, por exemplo, mesmo a partir de PC’s já obsoletos, e, em conseqüência disso, incapazes de executar o complexo ambiente gráfico que é parte significativa da experiência, ou através de outros dispositivos que não necessariamente PC’s ou notebooks, quero compartilhar com os interessados minha experiência conectando já há alguns meses a partir de um telefone celular sofisticado, um smartphone.

Nos primeiros meses desse ano, alimentei a idéia de adquirir um aparelho Apple iPhone 4, em especial após descobrir que há um software client que abre a possibilidade de conexão ao metaverso Second Life usando este aparelho. Para minha surpresa, após consultar lojas e representantes de operadoras diversas em São Paulo ( SP ), fui informado de que naquele momento a demanda pelo aparelho era tão assustadora, que ele estava “ em falta ”, e existia a perspectiva de espera de algumas semanas pela disponibilidade de um novo “ lote ”. Depois de três semanas aguardando contato com meus dados em algumas “ listas de espera ”, sem o devido retorno, optei, após estudar cuidadosamente diversas opções, por adquirir um aparelho Samsung Galaxy S GT-I9000B, rodando sistema operacional Google Android versão 2.2 ( Froyo ).
Obviamente pesquisei longamente por client softwares que pudessem conectar ao grid a partir desse aparelho, e eis que encontrei uma opção que tem me atendido muito bem. Trata-se do Mobile Grid Client, desenvolvido por um austríaco chamado Kurt Schlager.
O software pode ser adquirido na “ loja de aplicativos ” para o sistema operacional Android, chamada simplesmente Android Market, e acessível a partir do próprio aparelho. Basta lançar na ferramenta de busca do site, por exemplo, Second Life e o aplicativo será apresentado entre os resultados.

O formato de licenciamento abre a possibilidade de uso gratuito do software no smartphone, em versão demo, por 14 dias, e a partir desse ponto, são apresentadas duas opções : a compra de uma licença Standard, que apresenta algumas limitações, como por exemplo não permitir que o usuário envie itens do seu inventário aos seus contatos, ou que faça pagamentos e recebimentos, essa última, a meu ver, a limitação mais significativa. A versão Standard também permite que o usuário continue conectado através do smartphone, com a aplicação inativa e em segundo plano, por apenas 15 minutos. Por essa versão o usuário interessado vai pagar L$ 250 ( duzentos e cinqüenta Linden Dólares ) por mês, algo como R$ 1,78 mensais, partindo de uma relação de 140 / 1 ( cento e quarenta Lindens por Real ) na conversão para a nossa moeda, o que mostra que o valor não chega a ser realmente significativo.

A segunda opção de licenciamento, a meu ver a mais interessante, chamada “ Pro Version ”, completa, abre a possibilidade de envio de itens do seu inventário para outros contatos, e de manipulação de itens ( renomeá-los, movê-los entre pastas no interior do inventário ou deletá-los ) e, importante, de transferência de valores através de pagamentos e recebimentos, essa última possibilidade, a meu ver, em especial para aqueles que mantêm negócios no interior do Second Life, a mais significativa. O tempo de inatividade mantendo-se conectado, com a aplicação em segundo plano, passa de um máximo de 15 minutos na versão Standard para até 8 horas na versão Pro, outra vantagem muito significativa, e que abre ao usuário a possibilidade de permanecer conectado por um dia todo, ou permanentemente através do smartphone, usando um avatar secundário. A assinatura da versão Pro tem preço de L$ 450 ( quatrocentos e cinqüenta Linden Dólares ) mensais, algo como R$ 3,21 mensais, partindo da relação de 140 / 1 ( cento e quarenta Lindens por Real ) mencionada anteriormente, ou L$ 4.500 por uma licença de um ano ( R$ 32,14 por um ano de uso, partindo da mesma relação ), valores também “ amenos ”, particularmente para o usuário do Second Life que pretende usar a plataforma para acompanhar seus negócios.

É importante lembrar que trata-se de um aplicativo que não disponibiliza o ambiente gráfico do Second Life na tela do smartphone. O usuário terá a impressão de que está usando um “ Messenger sofisticado ”; é possível localizar o próprio avatar no espaço em que se encontra, identificar o lugar e checar a proximidade de outros avatares através do uso de mapas, mas não de “ caminhar ” com seu avatar, por exemplo. Para usufruir da experiência de uso completa, contando com a interface gráfica, apenas um PC desktop ou notebook poderá atender ao usuário.

Ainda assim, a meu ver, as possibilidades que a ferramenta abre, me permitindo estar “ disponível ” no Second Life através do smartphone, são fantásticas. Digitar mensagens ou responder aos meus contatos no teclado touch screen disponibilizado na tela de 4 polegadas AMOLED ( Active Matrix Organic Light Emitting Diode / Diodo Emissor de Luz Orgânico de Matriz Ativa ) do aparelho, apesar da belíssima qualidade de imagem e do brilho sem igual quando comparado às telas dos aparelhos concorrentes, devo admitir, não é a melhor das experiências. Ainda que eu tenha mãos relativamente pequenas, “ teclas ” maiores certamente possibilitariam uma experiência mais confortável.

Num futuro não muito distante, passar de um smartphone Samsung Galaxy S GT-I9000B para aparelhos como o tablet Samsung Galaxy Tab, com sua tela de 7 polegadas, certamente deve tornar a experiência muito mais prazerosa.

Fica a referência aos interessados.
Para ver telas do aplicativo Mobile Grid Client em uso e ter acesso a mais informações, visite www.mobilegridclient.com.

Nosso muito obrigado a Kurt Schlager ( office@mobilegridclient.com ), por abrir mais essa possibilidade aos usuários dessa plataforma fantástica, chamada Second Life, no mundo todo.

Vale pesquisar também por aparelhos rodando o sistema operacional Android. Há algumas opções com preços já convidativos em nosso país, dependendo do pacote de voz e dados assinado junto à operadora de sua escolha.

Grande abraço.

Kallikrates Stenvaag
Kallikrates Stenvaag é residente do metaverso
Second Life desde Junho de 2007
; atua como
instrutor e palestrante, falando sobre plataformas
x86 na RL.

Procurando informações e referências para um upgrade ou para a compra de um novo PC : processadores Intel Core iX de 2ª geração – segunda parte

Retomando o trabalho de expor novas características, particularidades e funcionalidades dos processadores Intel Core iX de segunda geração para máquinas desktop, cá está a segunda parte do texto em que os apresento. Ao leitor, peço que por favor, faça uma passagem pelo texto anterior, a primeira parte desse artigo, voltada num primeiro momento aos “ não-especialistas ”, ou usuários interessados em uma linguagem menos técnica, buscando se informar em preparação para a compra de um novo PC, o que, claro, não cria qualquer impeditivo para a leitura também dessa segunda parte, o que deve na verdade permitir aos interessados adquirirem referências aprofundadas.

Cá está o conteúdo para técnicos e entusiastas, interessados em detalhes mais aprofundados e em análises que “ dissecam ”, dentro do possível, os novos processadores :

Os processadores Core iX de segunda geração podem manter um maior número de micro-operações “ in flight ” ( em tempo de execução ), ou em termos mais simples, podem executar mais trabalho no mesmo espaço de tempo, o que garante maior desempenho na mesma frequência de operação de processadores da geração anterior. São 168 micro-operações em seu ROB ( Reorder Buffer ), contra 128 nos produtos da linha anterior. Ele também é capaz de sustentar a execução de 4 instruções por ciclo de clock em um maior número de cenários, e em alguns contextos muito específicos, avançar além disso através do uso de recursos como Macrofusion e Microfusion, que fundem instruções para então enviá-las através do front-end de execução.

Os novos processadores têm mais um nível de memória cache, L0 ( level zero ), com capacidade aproximada de 6 KB e baixíssimas latências, especificamente desenhado para armazenar algo em torno de 1.500 micro-operações, que são o resultado do trabalho de decodificação, o que permitirá ao processador em diversos cenários, já que esse cache conta com taxa de acerto ( hit rate ) aproximada de 80%, desligar parte significativa do front-end de execução, e fazer um bypass através dele, economizando energia enquanto alimenta suas unidades funcionais mais rapidamente com micro-operações de “ largura fixa ”. O resultado aqui é o melhor dos mundos : maior desempenho com menor consumo de energia.

São quatro níveis de memória cache integrada aos novos processadores, sendo o maior deles, o cache nível 3 ( L3 cache ), de 8 MB nos processadores Core i7, os mais sofisticados, 6 MB nos Core i5 e 3 MB nos Core i3. O cache nível 3 conta agora com latências ( os tempos de espera que a memória cache leva para retornar a informação que lhe foi requisitada ) menores que na geração anterior, variando entre 26 e 31 ciclos do processador, contra 35 a 40 ciclos nos produtos da primeira geração, conforme a área da memória cache L3 sendo acessada, o que representa um ganho percentual significativo. Nos novos processadores, a “ banda agregada ” oferecida pelo cache L3 é de 435,2 GB / s, em um processador operando a 3,4 GHz, com quatro núcleos acessando simultaneamente o cache L3. Número muito impressionante.

Um avanço simplesmente fantástico da segunda geração de processadores Intel Core iX em relação à anterior, é que os novos produtos trazem, por exemplo um Core i5 2300 operando a 2,8 GHz, quatro núcleos físicos de processamento, o chip gráfico, o controlador PCI Express, controlador de memória e System Agent ( que traz o controlador de display e Media Engine ), integrados em um único chip com 995 milhões de transistores, construído a partir do processo fotolitográfico mais sofisticado da Intel, P1268, de 32 nanômetros ( 32 nm ), um feito muito impressionante. Para que se tenha uma referência mais clara, vale dizer que esse é um chip com área de 216 mm², o que significa que tem o tamanho próximo ao de uma “ unha do dedão ”. Na linhagem anterior, os processadores que também traziam chip gráfico, o tinham no mesmo encapsulamento, porém em um segundo chip, separado dos núcleos, e produzido ainda a partir do processo P1266, de 45 nm.

Todos esses elementos conversam entre si no interior do processador, através de um novo barramento em anel ( ring bus ), operando na mesma velocidade dos núcleos, dividido em quatro vias e de implementação mais simples que a solução anterior, onde para que cada núcleo fosse conectado ao cache nível três ( L3 cache ), eram necessárias aproximadamente mil vias ( algo como mil fios no interior do processador ) ligando cada um dos núcleos ao cache, algo que leva a complexidade de construção do processador a níveis impeditivos, conforme mais núcleos e outros elementos são adicionados a gerações futuras de produtos.

Outro recurso muito inteligente, presente na geração anterior, e que foi refinado nos processadores novos, é o chamado Turbo Boost, que fica sob responsabilidade de um microcontrolador especializado, chamado PCU ( Power Control Unit ), que vai gerenciar todas as questões ligadas a alimentação elétrica e variáveis térmicas no processador. O Turbo Boost 2.0 desliga os núcleos do processador que não estão sendo usados pelos programas em execução em dado momento, e aumenta a velocidade dos núcleos em uso, funcionando como uma espécie de overclock inteligente. Nos melhores cenários, a freqüência de determinados modelos pode chegar a subir 600 MHz sobre a frequência padrão, quando apenas um núcleo do processador estiver sendo usado, permanecendo mais tempo nessa faixa limite, graças à capacidade do Turbo de segunda geração de operar, ainda que por um máximo de 25 segundos, além dos limites térmicos teóricos e de dissipação de calor ( TDPThermal Design Power ) para os quais o processador foi projetado, uma vez que leva algum tempo até que as faixas de temperatura críticas sendo monitoradas sejam atingidas, permitindo o ganho de desempenho necessário nos momentos críticos, em que é preciso uma “ arrancada ” para atender à demanda de determinada aplicação. Mesmo com essa “ subida ” na freqüência de operação, não há em absoluto problemas com superaquecimento ou qualquer instabilidade causada por altas temperaturas. Os coolers originais que acompanham os processadores in a box, são desenhados para lidar com perfeição com a tarefa de refrigerá-los. No caso específico dos modelos “ K ”, dado o perfil dos usuários desse tipo de produto, historicamente se descarta o cooler fornecido pelo fabricante do processador e adota-se coolers mais sofisticados, disponibilizados por fabricantes especializados como Zalman, Corsair, Cooler Master, Thermaltake e outros nomes bastante conhecidos nos círculos de overclockers, gamers e entusiastas.

O chip gráfico no interior do novo processador, também radicalmente revisado e aperfeiçoado, usa interface de 128 bits e, e por estar totalmente integrado aos núcelos, tem acesso ao seu cache L3 ( LLCLast Level Cache ), através do novo barramento em anel que interconecta os três grandes blocos que compõem o processador em um mesmo elemento de silício; suporta a API DirectX 10.1 e Shader Model 4.1, traz hardware para execução de conteúdo em mídias Blu-Ray, além de suportar Blu-Ray Stereo 3D através de interface HDMI 1.4, recurso que não está presente na geração anterior de produtos. Compartilha dinamicamente até 1,7 GB da memória do PC, conforme a demanda da aplicação em execução ( DVMTDynamic Video Memory Technology ) e deve oferecer desempenho na mesma faixa ou pouco superior ao de placas gráficas que nos Estados Unidos se posicionam na casa de US$ 70 a US$ 90, ou algo na faixa de R$ 220,00 para o consumidor final no nosso país. Como referência, sabe-se que os chips gráficos integrados no interior dos novos processadores são capazes de competir, rodando jogos da atual geração em resoluções e níveis de detalhamento básicos e intermediários, com placas gráficas básicas, baseadas por exemplo em chips como os nVidia GeForce 210, ou GeForce 220, até o nível de um ATI / AMD Radeon HD5450, o que representa um avanço muito impressionante, uma vez que estamos falando de um chip gráfico integrado. É preciso lembrar que a proposta de tais chips gráficos construídos dentro do processador não é disputar espaço com placas de vídeo sofisticadas ou mesmo intermediárias, mas sim abrir a possibilidade de se construir PC’s, em especial nas faixas de preço de entrada e intermediárias, sem a obrigatoriedade de se instalar uma placa gráfica separada, caso o usuário em questão não seja um “ jogador ” ou profissional rodando aplicações que constroem gráficos elaborados.

Os chips gráficos no interior dos novos Core i3, Core i5 ou Core i7 de segunda geração, chamados Intel HD Graphics 2000, têm seis unidades de execução e também contam, de certa forma, com seu “ Turbo Boost ”, ou DFVS ( Dynamic Frequency and Voltage Scaling ), operando, no caso dos Core i3 e Core i5, no intervalo entre 850 MHz e 1.100 MHz, e, nos Core i7, na faixa de 850 MHz até impressionantes 1.350 MHz, conforme a demanda das aplicações em execução. Nos modelos da série “ K ” ( Core i5 2500K e Core i7 2600K ), o chip gráfico é chamado Intel HD Graphics 3000 e traz doze unidades de execução, dobrando o número de elementos de execução no chip gráfico dos processadores “ normais ”, o que significa que são ainda mais competitivos frente às placas gráficas básicas de hoje. Há que se considerar, apesar disso, que o usuário típico de um processador Core i5 2500K ou Core i7 2600K certamente tem planos de adquirir uma placa gráfica sofisticada para seu PC, e não está de forma alguma, interessado em um chip gráfico capaz de rivalizar com placas gráficas nas faixas de preço de entrada, portanto me parece que a escolha da Intel por disponibilizar a versão mais sofisticada do chip Intel HD Graphics em um processador voltado a gamers, overclockers e entusiastas, não foi exatamente a melhor. De qualquer maneira, é indiscutível o avanço tremendo, dadas as limitações sérias das gerações anteriores de chips de vídeo integrados ou “ onboard ”.

Junto do chip gráfico integrado está um novo elemento que vai despertar tremendo interesse por parte de muitos usuários de PC’s, e que não está presente na geração anterior de produtos, chamado Media Engine. O Media Engine nada mais é que hardware voltado para operações de transcoding de vídeo, ou, em termos simples, um “ processador ” especializado em codificação e decodificação de vídeo, capaz de converter filmes para os formatos mais comuns em uso hoje, inclusive os de alta definição. Um exemplo muito interessante que explica o tremendo potencial desse componente : em demonstração feita pela Intel em uma das primeiras apresentações com os novos processadores Core iX, foi feita a conversão de um pequeno “ clip ” de 3 minutos em 1.080p a 30 Mbps para o formato de 640 x 360 pontos, usado pelos aparelhos Apple iPhone. O trabalho de conversão levou 14 segundos, e foi executado a uma taxa aproximada de impressionantes 400 fps ( frames per second / quadros por segundo ), desempenho no nível oferecido por uma placa gráfica high-end convertendo vídeo. Isso, em um componente já integrado no processador. Excelente !

Algo que também vai interessar aos usuários que têm planos de construir equipamentos com configurações mais sofisticadas, é que os novos processadores baseados na microarquitetura Sandy Bridge trazem, apesar de não haver menção a essa possibilidade na documentação formal, multiplicadores que permitem configurar a memória, obviamente ainda DDR3 SDRAM, nas frequências de 1.600 MHz, 1.866 MHz e 2.133 MHz.

Para encerrar, vale dizer que os novos produtos trazem dois novos conjuntos de instruções, o primeiro chamado AVX ( Advanced Vector Extensions ) que, uma vez usado pelo software ou softwares em execução, permite ao processador trabalhar com operandos de 256 bits, o que deve viabilizar mais um salto de desempenho conforme particularmente programas voltados a tratamento de imagem, modelagem, maquetes eletrônicas, edição de vídeo ou áudio e simulação, entre outros para aplicação profissional, forem preparados para tirar proveito do recurso. O segundo set de instruções é chamado AES-NI, e acelera aplicações que lidam com criptografia de dados, tarefa que ganha mais peso, conforme surge a demanda por ferramentas de segurança de dados mais sofisticadas. O padrão criptográfico AES ( Advanced Encryption Standard ) é o mais usado no mundo todo, o que certamente vai garantir a adoção do novo conjunto de instruções pelos desenvolvedores de software.

Somados os dois textos sobre os novos processadores Intel Core iX de segunda geração, espero ter colaborado para que usuários domésticos à procura de alguma referência para guiar sua próxima compra de processador ou de um novo PC, e também gamers, overclockers, entusiastas e profissionais interessados em conhecer detalhes mais aprofundados dos novos produtos, possam ter somado informação útil às referências que tinham.
Em breve retorno com uma análise das opções para notebooks, e também, claro, para esclarecer algum ponto específico mencionado nesses dois primeiros textos, que possam ser questionados em feedbacks de leitores.

Grande abraço a todos e até breve.

Kallikrates Stenvaag
Kallikrates Stenvaag é residente do metaverso
Second Life desde Junho de 2007
; atua como
instrutor e palestrante, falando sobre plataformas
x86 na RL.

Procurando informações e referências para um upgrade ou para a compra de um novo PC : processadores Intel Core iX de 2ª geração – primeira parte

Em meio às conversas com amigos e contatos no interior do universo virtual Second Life, frequentemente me são feitas perguntas sobre partes e peças para a montagem ou atualização de computadores desktop, e sobre especificações de bons notebooks e afins, uma vez que é com isso que lido em meu dia-a-dia, ministrando treinamentos para os distribuidores oficiais de componentes Intel atuando em todo o país, e fazendo apresentações em eventos diversos.
Partindo dessas experiências, quero disponibilizar aqui o primeiro de um ciclo de textos sobre componentes críticos para máquinas desktop e notebooks, com o intuito de auxiliar os usuários da plataforma Second Life em suas escolhas, e claro, também aos leitores que cheguem a esse material através de outros canais. O dois primeiros textos estão focados em processadores para PC’s desktop.

No dia 7 de Janeiro desse ano, a Intel colocou no mercado os primeiros representantes de uma nova família de processadores para máquinas desktop, chamada segunda geração de processadores Intel Core iX. No início de Março, mais alguns modelos foram lançados, nas faixas de preço de entrada, completando a nova linha. Todos os novos Core i3, Core i5 e Core i7 usam identificação diferente da geração anterior, com a numeração dos novos modelos começando com o número dois, o que os posiciona como segunda geração. Trata-se dos produtos mais recentes da Intel, e suas mais sofisticadas opções disponíveis nesse instante, já duas gerações à frente de processadores como os Intel Core 2 Duo ou Core 2 Quad. Alguns dos modelos lançados no início de Janeiro foram Core i5 2300 e 2400, e Core i7 2600 e 2600K, com os Core i3 2100 e 2120 chegando posteriormente. Todos são baseados em uma nova microarquitetura, identificada internamente como microarquitetura Sandy Bridge.
Para o usuário que não é um especialista ou exatamente um entusiasta de componentes para PC’s, e está apenas procurando algum referência para um upgrade ou para a compra de um novo equipamento, as mensagens mais importantes que devem ficar no primeiro contato com esse texto são as seguintes :

Os processadores Intel Core iX de segunda geração são bem mais rápidos que os produtos que vão substituir, apesar disso, se posicionando nas mesmas faixas de preço da linhagem anterior, o que faz com que ofereçam uma relação custo-benefício significativamente melhor.
Além do desempenho maior no geral, novas funcionalidades de grande interesse de todos aqueles que usam PC’s foram adicionadas a esses processadores, como por exemplo o recurso Quick Sync, que permite converter vídeo para novos formatos muito mais rapidamente que em processadores anteriores. Talvez nesse momento, não tanto em países como o nosso, mas em mercados “ maduros ”, como em alguns países asiáticos e nos Estados Unidos, são imensamente difundidos aparelhos como os players Apple iPod e smartphones como o Apple iPhone ou Samsung Galaxy S, entre outros. É muito comum que usuários desses aparelhos façam downloads de filmes em formatos e tamanhos diversos e queiram posteriormente convertê-los para formatos tais que se adaptem às telas bem menores de players de mídia e smartphones. Conversão de vídeo, porém, é uma tarefa muitíssimo exigente para com os processadores em PC’s e notebooks. Leva-se muito tempo para executá-la, e, em equipamentos com alguma idade, pode-se levar horas para esse tipo de trabalho, quando as conversões envolvem formatos de alta definição. Para lidar com essa tarefa, a Intel integrou na segunda geração de processadores Core iX nada menos que um “ processador ”, muito pequeno, ocupando uma área mínima dentro de qualquer um dos novos Core iX, chamado Media Engine, ultra especializado em conversão de vídeo, para que se possa executar esse tipo de tarefa em um novo equipamento muito mais rapidamente que em máquinas anteriores. Alguns sites que puderam avaliar o recurso mencionam desempenho até dez vezes maior que na geração anterior de produtos, quando convertendo vídeo. Um salto imenso !

Todos os novos processadores trazem chip gráfico integrado, capaz de oferecer desempenho significativamente melhor que aquele encontrado nos produtos da família anterior, o que dispensa o usuário da necessidade de comprar uma placa gráfica separada, que se posicione na casa de até R$ 220,00 em valores de referência, válidos no momento em que elaboro esse texto. Para aqueles que já trabalham com computadores básicos, que tipicamente trazem o chip de vídeo integrado à placa-mãe, o avanço em desempenho será significativo, viabilizando a execução de softwares como os viewers que usamos para acessar o metaverso Second Life, nas resoluções básicas e intermediárias, de forma mais “ fluida ”, com um maior número de quadros por segundo ( frames per second – fps ) sendo exibidos. Obviamente continua existindo a possibilidade de se adicionar aos PC’s com esses processadores uma placa gráfica separada, mais sofisticada, para um melhor desempenho, mas até a faixa de preço anteriormente mencionada, o desempenho que se poderia esperar da placa gráfica já está disponível no chip de vídeo que o processador traz em seu interior. Além disso, tais chips gráficos têm força suficiente para executarem conteúdo em mídias Blu-Ray, suportando inclusive Blu-Ray Stereo 3D.

Os novos produtos trazem ainda a capacidade de executar toda uma nova geração de softwares escritos em 256 bits, que começa a surgir agora; no médio prazo, certamente essa capacidade trará novos saltos significativos de desempenho, particularmente com softwares como Adobe Photoshop e 3D Studio Max, entre tantos outros títulos que serão preparados para extrair o máximo desempenho desses processadores.
Aceleração de criptografia também está presente, e aplicações de segurança mais sofisticadas, portanto mais exigentes, devem rodar melhor e oferecer segurança mais robusta a essas máquinas também no médio prazo.

No dia 22 de Maio, a Intel disponibilizou mais alguns processadores que têm a missão de ocupar as faixas de preço que ela identifica como “ entry-level ”, ou de entrada, onde estão os PC’s realmente baratos, logo abaixo da faixa onde se posicionam os Core i3. São eles os Pentium G850, G840 e G620, que devem substituir os processadores chamados de Pentium Dual Core, ainda baseados na mesma arquitetura dos processadores Core 2 Duo, agora obsoleta. A marca Pentium continua em uso, apesar dos processadores lançados recentemente contarem com a mesma microarquitetura dos Core iX de segunda geração, porque nas faixas de preço de entrada, muitos dos consumidores, apesar de leigos, conhecem a marca e a associam a um bom produto.

Cabe apresentar alguns detalhes que costumam confundir particularmente os não-especialistas :

- Processadores Intel Core i3 de segunda geração : estão disponíveis no Brasil, nesse instante, para computadores desktop, os modelos 2100 ( 3,1 GHz ) e 2120 ( 3,3 GHz ); o proposta dos Core i3 é de substituírem os Core 2 Duo, lançados originalmente em meados de 2006. Os Core i3 são processadores com dois núcleos, porém, por suportarem uma tecnologia chamada HT ( Hyper-Threading ), baseada em um conceito computacional chamado SMT ( Simultaneous MultiThreadingMultitarefa Simultânea ), cada um de seus núcleos pode executar duas tarefas simultâneas, o que faz com que o processador possa executar quatro tarefas em paralelo. Para o sistema operacional, seus dois núcleos físicos serão interpretados como quatro núcleos lógicos. Eu particularmente não simpatizo com o discurso de alguns técnicos e especialistas que usam expressões como “ núcleos simulados ” ou “ núcleos virtuais ”. Acredito que seja mais válido dizer que o processador tem dois núcleos, mas é capaz de executar quatro tarefas simultâneas, porque o sistema o interpreta como disponibilizando quatro núcleos lógicos.

- Processadores Core i5 de segunda geração : estão disponíveis os modelos 2300 ( 2,8 GHz ), 2400 ( 3,1 GHz ), 2500 ( 3,3 GHz ) e 2500K ( operando também a 3,3 GHz ), todos eles com quatro núcleos físicos, capazes portanto de executar quatro tarefas simultâneas, porém com melhor desempenho que nos Core i3, já que esse último conta com apenas dois núcleos físicos. Os Core i5 contam com o recurso Turbo Boost, ausente nos Core i3. Esse é um recurso que desliga os núcleos do processador que em dado momento podem estar “ ociosos ” e aumenta a velocidade de operação dos núcleos em uso. Essa é uma possibilidade particularmente interessante nos cenários de uso em que estamos rodando programas que não foram preparados para aproveitar diversos núcleos em um mesmo processador. O modelo que traz a letra “ K ” junto da numeração é voltado a overclock, a operação em que um entusiasta ou usuário avançado usa no BIOS um setup mais agressivo, configurando o processador para operar significativamente acima da velocidade de fábrica, muitas vezes em regime permanente. Esses são produtos mais caros, voltados a nichos específicos.

- Processador Core i7 de segunda geração : estão disponíveis os modelos 2600 e 2600K, ambos operando a 3,4 GHz; os Core i7 são os modelos mais sofisticados da Intel para máquinas desktop, e para oferecem desempenho superior, contam com quatro núcleos físicos e tecnologia HT, o que faz com que possam executar oito tarefas simultâneas, além de contarem com Turbo mais agressivo, que pode elevar mais a frequência dos núcleos em relação aos demais processadores. Os modelos que contam com a letra “ K ”, tanto Core i5 quanto Core i7, podem operar permanentemente em overclock a 4,0 GHz ou 4,2 GHz, “ estáveis ”, usando coolers convencionais.

Para os processadores Core i3 de segunda geração e os novos Pentium, é preciso procurar preferencialmente por uma placa-mãe baseada em chipset H61, a opção de baixo custo entre as placas voltadas para os novos processadores. Para máquinas baseadas em processadores Core i5 e Core 7, as opções imediatas são as placas baseadas em chipsets H67, Q67 ou P67, sendo esse último, um chipset presente em motherboards voltadas a computadores mais sofisticados, que obrigatoriamente terão que trazer uma placa gráfica separada, mais poderosa.
Para os entusiastas e overclockers no topo do “ ecossistema ”, tipicamente interessados nos processadores da série “ K ”, as recém lançadas placas baseadas em chipset Z68 são a primeira opção. Essas serão as placas mais caras, mas que trarão todos os recursos e opções voltadas ao máximo desempenho.

Na sequência, devo disponibilizar uma segunda parte para esse texto, voltada aos usuários avançados, técnicos e entusiastas, interessados em detalhes mais aprofundados e particularidades mais específicas dos processadores Core iX de segunda geração.

Grande abraço.

Kallikrates Stenvaag
Kallikrates Stenvaag é residente do metaverso
Second Life desde Junho de 2007
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Golpes em operações de venda de Lindens no universo virtual Second Life – 3ª e última parte

E eis que retomamos, naquele que será o terceiro e último texto desse ciclo, a questão das fraudes e golpes em operações de venda de Lindens no interior do universo virtual Second Life.

Após explorar algum histórico e formato de atuação dos avatares Carina Brandi, Carina Asamoah e Bela Nansen, todos eles usados por uma garota de Campinas ( SP ), com todo um histórico de atuação como estelionatária também na RL, e dos avatares Laura Milovat e AnastasiaXX Resident, também pertencentes a uma mesma pessoa, nesse caso, atuando em formato mais sofisticado para aplicar seus golpes, é hora de registrarmos a atuação de golpistas com um histórico de certa forma menos agressivo, mas que também é digno de nota.

O primeiro deles é um garoto do Rio de Janeiro, da região de Itaboraí, atuando através dos avatares Pablo Twig, criado em 13 de Fevereiro de 2010, portanto com 474 dias de idade no momento em que construo esse texto, e, mais recentemente, através do avatar JhonKGomes Toxx, de 18 de Abril de 2010, portanto com 410 dias nesse instante. Em uma rápida busca no interior do metaverso, o leitor vai encontrar também o avatar JhonKGomes22 Turbo, de 12 de Novembro de 2008 ( 932 dias ), certamente pertencente à mesma pessoa, o que mostra que se trata de um usuário experiente do Second Life.
JhonKGomes Toxx me abordou no início do mês de Abril, em uma conference onde eu veiculava anúncios de venda de moeda, e após apresentar uma proposta que me pareceu interessante, preservamos os contatos, trocamos uma série de informações e referências e conversamos algumas vezes, através de diversos canais, antes que eu efetuasse um depósito de R$ 301,00 em uma conta sua na Caixa Econômica Federal, para observar na sequência, para minha surpresa, uma vez que me considero já suficientemente experiente para não ser enganado em transações desse tipo, que todos os canais de comunicação haviam sido fechados e o garoto havia desaparecido.

Após uma pesquisa cuidadosa na Internet, procurando em redes sociais e outras bases de dados, uma vez que tínhamos seu verdadeiro nome e outras referências, rapidamente o encontramos, e através da intermediação de um parente, que disponibilizou um número de telefone celular em seu perfil em uma das redes consultadas, chegamos aos familiares de JhonK. Nos surpreendeu em particular o contato com a mãe do rapaz, uma policial feminina, cabo da Polícia Militar no Rio de Janeiro.
Uma vez apresentado o problema aos familiares do garoto, um enorme constrangimento se fez presente, e após longa conversa, ficou acordada a devolução do valor no dia seguinte; aproximadamente vinte e sete horas após o depósito na conta de Jhonk, o dinheiro havia sido depositado de volta em minha conta bancária.

E então, quarenta dias depois, novamente para minha surpresa, após a publicação dos dois primeiros textos sobre golpes em falsas operações de venda de Lindens no interior do Second Life, e em meio aos muitos feedbacks positivos e manifestações de usuários, compartilhando conosco suas experiências desagradáveis com estelionatários atuando no interior do grid, eis que surge uma garota de Belém ( PA ), com uma história que, feitos os devidos esclarecimentos, envolvia o mesmo golpista, em uma compra relativamente pequena de Lindens, feita quinze dias antes do momento em que JhonK me abordou. Obviamente a garota de Belém nunca recebeu os Lindens que comprou, e não conseguiu mais fazer contato com JhonK através de nenhum canal após a confirmação do depósito.
Após o choque inicial, retomamos os contatos com o garoto e sua mãe, e novamente depois de muitos telefonemas e uma carga considerável de stress e constrangimentos,uma semana após a retomada das conversas, JhonK entregou à garota de Belém 80% dos Lindens negociados a princípio, usando um novo avatar, chamado KenorMaximo Resident, de apenas 20 dias de idade no instante em que escrevo; cabe registrar que a garota apenas aceitou a proposta do carioca em meio ao receio de que ele voltasse a desaparecer ou de que a intimidasse, e certamente também porquê não pude intermediar a conversa onde esse acordo foi fechado. Ficou o compromisso da mãe de JhonK, depois de questionar de forma absolutamente desnecessária meus interesses em meio a essas conversas, de “ policiar ” o uso que o filho faz da Internet, certamente algo muito difícil, e tentar evitar que problemas realmente sérios, como uma queixa formal às autoridades competentes, possam surgir em função da postura absolutamente desrespeitosa e imensamente irresponsável do garoto.

Fica o alerta para aqueles que em algum momento possam identificar algum dos avatares mencionados em conferences e outros canais de atuação no interior do metaverso.

Para encerrar esse ciclo, quero deixar registrada a atuação de um usuário outrora destacado do metaverso Second Life, dentro da comunidade brasileira de usuários da plataforma, e que, vergonhosamente, aplicou ali um dos maiores golpes, senão o maior de que se tem notícia nos círculos que frequento, ainda que o tenha feito de forma completamente diferente daquela adotada por todos aqueles que foram mencionados até aqui.

Trata-se de ninguém menos que Augustus Flannery, avatar que hoje teria 1.588 dias ou quase quatro anos e meio, usado por um advogado do Rio Grande do Sul, o que torna o episódio em questão ainda mais frustrante e vergonhoso aos olhos de todos aqueles que foram lesados.

No segundo dia do mês de Agosto de 2010, efetuei um depósito em uma conta de Flannery na Caixa Econômica Federal para a compra de L$ 80.000, para descobrir uns poucos dias após fazê-lo, através de terceiros, que no exato momento em que fechei o acordo, sua operação no interior do Second Life já estava “ quebrada ”, o que levaria fatalmente ao bloqueio de sua conta pouco tempo depois, e à perda do controle das pouco mais de duas dúzias de ilhas que mantinha e dos negócios associados a elas.
Uns poucos dias após efetuar o depósito, não sem alguma dificuldade, recebi de Flannery L$ 20.000, para então não mais conseguir qualquer tipo de resposta dele, apesar das diversas mensagens e notecards cuidadosamente elaborados e enviados. E lá se foram L$ 60.000 pelos quais paguei, e que nunca mais recebi. O mais impressionante foi descobrir, nos meses seguintes, que muitas outras pessoas, não se sabe ao certo quantas, talvez algumas dezenas, também efetuaram depósitos e transferências para contas bancárias de Augustus Flannery, e nunca receberam os Lindens correspondentes. Há poucos dias atrás, um de meus contatos mencionou, em meio a conversas sobre esse tipo de problema no interior do grid, ter perdido R$ 300,00 para Augustus naquele mesmo momento. Também comentou o caso de uma garota que está em sua lista de contatos e que por longo tempo alugou com Augustus toda uma ilha, pagando algo na faixa de L$ 100.000 mensais pelo espaço, para ver em um belo dia que algo em torno de 15.000 itens haviam retornado ao seu inventário, e que toda a ilha, junto com seus projetos ali alocados, após milhares de horas de trabalho, haviam desaparecido sem qualquer aviso.

Consta em notecards atualizados por Flannery em Novembro de 2008, e que ainda mantenho em meu inventário, que, talvez em seu melhor momento, sua operação chegou a envolver quarenta ilhas, e que negociava volumes realmente muito significativos de Linden dólares. É possível encontrar diversos grupos criados por Augutus, que uns poucos anos atrás, alavancaram projetos ligados a orientação e suporte para usuários brasileiros do Second Life, entre outras iniciativas nobres. Certamente esse era um momento mais favorável com relação à índole do advogado.

O que é preciso deixar claro é que Flannery tinha plena ciência do processo de falência em que se encontrava sua operação, enquanto continuava negociando moeda nos últimos dias de Julho e primeiros dias de Agosto de 2010, e que poderia certamente ter encerrado sua operação de “ câmbio ” antes que muitos de seus clientes fizessem depósitos em suas contas, ou simplesmente lhes devolver os valores depositados, contatando-os através de outros canais.
Mas não; Flannery optou por desaparecer, fechar todo e qualquer canal de comunicação e não prestar contas aqueles que fizeram depósitos ou transferências para suas contas bancárias em meio ao processo de “ dissolução ” dos seus negócios. Essa foi uma escolha.
Recentemente, em uma padaria sofisticada de Moema, na zona sul de São Paulo, em meio a uma conversa entre amigos, todos usuários destacados do universo virtual Second Life, foi mencionada a cifra estimada de R$ 20.000,00 para o montante que talvez Flannery tenha “ embolsado ” em meio a essa história toda. Nunca saberemos ao certo.

Uma vergonha. Absolutamente vergonhoso o posicionamento do advogado !

E tão vergonhoso quanto, foi o posicionamento daqueles que eram próximos a ele, recusando-se a fornecer qualquer informação ou referência que pudesse levar a Augustus. Pessoas próximas a Flannery literalmente o “ protegeram ” em meio aos questionamentos, e coniventes com sua opção por lesar aqueles que confiaram nele, o acobertaram, fazendo-se de desentendidos ou se ofendendo muito facilmente, ao menor questionamento por canais que pudessem levar ao advogado.

A essas pessoas, meus menoscabos.

Para encerrar mais essa história, cabe colocar uma pergunta : realmente podemos acreditar que Augustus Flannery não está ainda circulando no interior do universo virtual Second Life, usando outro avatar ou avatares ?
Simplesmente não posso acreditar que ele não esteja por ali, desenvolvendo outras atividades ou se “ divertindo ”, em meio aqueles que lhe são queridos.
Certamente abrirá um discreto sorriso ao ler esse último trecho.

Parabéns, Flannery !
Comparadas à sua “ cartada ” final como Augustus Flannery, as atividades de todos os demais nomes mencionados ao longo desse ciclo de textos sobre fraudes e golpes em operações de venda de Lindens, os colocam, frente a você, como newbies.

Que os três textos lançados nesse espaço possam servir para orientar as pessoas no interior da plataforma Second Life a não fazerem negócios com “ fantasmas ”, procurando sempre por fornecedores e parceiros que disponibilizem canais de comunicação como números de telefone, contatos no Messenger, Skype, endereços de e-mail e outros, e que não hesitem em apresentar seus verdadeiros nomes e fornecer outras referências importantes, porque afinal de contas, para que se possa extrair real valor do universo virtual, é preciso negociar com as pessoas por trás dos “ belos bonecos ”.

Um grande abraço a todos.

Kallikrates Stenvaag
Kallikrates Stenvaag é residente do metaverso
Second Life desde Junho de 2007
; atua como
instrutor e palestrante, falando sobre plataformas
x86 na RL.

Golpes em operações de venda de Lindens no universo virtual Second Life – 2ª parte

Após receber feedbacks muito positivos relacionados ao texto anterior sobre fraudes, golpes e golpistas atuando no interior do universo virtual Second Life, com falsas operações de venda de Lindens, cabe retomar a questão, apresentando novos nomes, seus formatos de atuação, e minha experiência pessoal com cada um eles.

Após construir um texto enorme sobre Carina, a garota de Campinas ( SP ), por trás dos avatares Carina Brandi, Carina Asamoah e Bela Nansen, uma vez que esse é o caso mais rico em referências e documentação que acompanhei, vamos conversar dessa vez sobre um avatar chamado AnastasiaXX Resident, criado em 19 de Janeiro de 2011, portanto com apenas 116 dias de idade no momento em que escrevo esse texto.
AnastasiaXX atuou pesadamente até poucas semanas atrás, em um formato muito próximo do de Carina, veiculando anúncios em grupos diversos onde oferecia Lindens, que obviamente nunca foram entregues às pessoas que fecharam negócio com ela e providenciaram depósitos ou transferências online, essa última opção adotada na absoluta maioria dos casos. O ponto que chama a atenção aqui é que AnastasiaXX Resident apresenta contas bancárias de terceiros, em bancos diversos, podendo basicamente viabilizar o negócio para qualquer interessado em providenciar uma transferência online imediata.

Como é possível apresentar contas de terceiros, espalhados por cantos diversos do país como Dourados ( MS ), Castelo ( ES ), Uberlândia ( MG ) e Florianópolis ( SC ), e usá-las nos golpes ?
O formato de atuação parece realmente muito inteligente num primeiro momento.
As contas bancárias usadas nas fraudes, até onde foi possível acompanhar sua atuação, pertencem a quatro pessoas diferentes, vivendo nas cidades que mencionei há pouco, todos jogadores de poker online, um deles em particular um jogador destacado, considerado um prodígio, aos 21 anos já bem posicionado em alguns rankings significativos.
Todos eles compram e vendem créditos e(ou) fichas que podem ser usadas posteriormente para jogar em salas ou mesas de poker online, disponibilizando seus dados bancários em sites e perfis criados em redes sociais diversas. Esse, aliás, me era um universo desconhecido até o momento em que comecei a procurar pelos verdadeiros donos das contas bancárias usadas nas fraudes. O que percebi é que a movimentação nos círculos de interessados pelo poker online é imensa, e as somas em circulação nos circuitos voltados ao jogo são muito maiores do que se pode imaginar num primeiro instante.

AnastásiaXX Resident basicamente leva o interessado em comprar seus Lindens a efetuar uma transferência online para uma conta pertencente a um negociador de créditos de poker, que ela apresenta como tio, pai ou irmão, contatando o verdadeiro dono da conta imediatamente após receber a comprovação da transferência, geralmente uma tela capturada em um “ print ”, e se apresentando como responsável pela transferência, já que tem naquele instante a comprovação, enquanto em paralelo, acabou de “ fechar os canais de comunicação ” com o verdadeiro responsável pela transferência, que então se dá conta de que acabou de ser roubado de forma covarde.
O grande erro da pessoa que acabou de ser enganada está, conforme mencionei no texto anterior, em fazer negócio com um “ fantasma ”, alguém que usa um avatar com perfil praticamente em branco, sem nenhuma informação que possa ajudar a identificar a pessoa atrás da tela do PC, que por sua vez se recusa terminantemente a conversar usando voz, a ceder um número de telefone válido ou qualquer outra referência que possa identificá-la.
Como coloquei anteriormente, se na RL não fazemos depósitos ou transferências para “ fantasmas ”, por que trabalhar no interior do Second Life com a idéia de que é válido fazer negócios nesse formato ?

Conversei com todos os quatro jogadores de poker que tiveram suas contas usadas nas fraudes, e expliquei detalhadamente como funciona o golpe, em que ponto e de que forma suas contas são usadas. Nem todos reagiram da forma como eu esperava, e particularmente o player de Florianópolis ( SC ), mostrou-se muitíssimo incomodado com meu contato, muito mais que com o fato de suas contas bancárias serem usadas para aplicar golpes na Internet.
Se uma pessoa me procura dizendo que contas bancárias minhas estão sendo usadas por um estelionatário na rede, e me dá detalhes sobre a forma de atuação do golpista, quero crer que essa pessoa que me contatou para expor a questão espera que eu me interesse imediatamente pelo assunto, me colocando à disposição para ceder informações e referências quaisquer que possam levar ao estelionatário. Por que agir de outra forma e, exatamente como o golpista, fechar todos os canais de comunicação ?
Exposto o caso ao proprietário da conta bancária, cabe realmente me fazer perguntas como “ qual é o seu interesse nessa história ? ”, ou “ por que você está fazendo essa investigação ? ” ?
Quero crer que essas são perguntas absolutamente desnecessárias, e feitas em um contexto onde os pontos realmente importantes, muitíssimo importantes aliás, são outros.
Deixo para o leitor especular a motivação do negociador de créditos e fichas de poker para tal comportamento.

Voltando ao avatar AnastasiaXX, depois de observar o formato de seus anúncios e seu discurso com os interessados em comprar Lindens, posso afirmar tratar-se da mesma pessoa por trás de Laura Milovat, um avatar também associado a golpes em operações com venda de Lindens, bastante conhecido em espaços como Copacabana MLBR, uma área no interior do metaverso que já não existe mais.
Assim como fiz com AnastásiaXX Resident, conversei longamente com Laura Milovat em diversas ocasiões, e em Setembro do ano passado, inclusive, levei até o último instante antes de confirmar uma transferência online, uma negociação onde supostamente compraria Lindens com Laura, que, repare, me forneceu uma conta bancária apresentada também por AnastasiaXX seis meses depois, pertencente a um dos jogadores de poker que mencionei. O mesmo discurso e a mesma conta bancária; trata-se obviamente da mesma pessoa.

AnastasiaXX Resident / Laura Milovat, talvez por conta dessas questões ligadas ao “ ego ”, que fazem com que alguns criminosos gostem de expor, no contexto adequado, para se afirmarem como pessoas inteligentes e articuladas, seu formato de atuação, me contou em Copacabana MLBR, que fazia parte de uma quadrilha composta por quatorze pessoas, atuando com “ metas ” bem definidas, todos usando máscaras de MAC Adress para “ esconderem ” suas placas de rede na Internet, além é claro dos IP’s dinâmicos, aplicando golpes não apenas em falsas operações de venda de Lindens, mas também “ pedindo dinheiro ” em grupos diversos, escolhidos a dedo, com milhares de associados, por exemplo para pagar aluguéis no interior do Second Life. O formato tipicamente usado para essas mensagens, nas palavras da própria Laura, seria :
Hello, guys !
I urgently need L$ 1.500 to pay my rent !
I’m a very honest person and promise to pay back on Wednesday.
I know that’s not cool to ask for money in the group, but I really need this.
I apologize and hope to have help from someone.

AnastasiaXX Resident mostra certa desenvoltura nas diversas conversas que tenho preservadas em notecards, e em certa ocasião, me disse que prefere ser chamada de “ golpista profissional ”, quando a coloquei como “ ladra de varal ”. Enquanto escrevo esse texto, estou “ visitando ” novamente todos os notecards com essas conversas, e ainda que a história toda seja realmente triste, chego a sorrir, dado o sarcasmo nos comentários, meus e de AnastásiaXX.
Exatamente como fiz com Carina Asamoah, em certa ocasião fiz uma compra de Lindens com AnastasiaXX Resident, usando um avatar secundário; feita a transferência do valor para a conta bancária apresentada, que eu já esperava, seria a de um dos jogadores de poker que mencionei, fiz o contato com o player e expliquei a ele que um estelionatário entraria em contato se apresentando como responsável por uma transferência de valor “ x ”, e que eu gostaria que o jogador em questão “ muito encarecidamente me cedesse ” os contatos dessa pessoa e qualquer outra referência que pudesse ser extraída da conversa.

Parece simples, não ?
Pois bem; o jogador de poker me cedeu as informações e feita a devida pesquisa, talvez saibamos quem está por trás dos bonecos.
As informações foram passadas a contatos no Ministério Público de Belo Horizonte ( MG ), que têm as ferramentas adequadas e a missão de tirar de circulação gente dessa índole.

Fica o alerta para o leitor.
Esse pessoal vem e vai no interior do Second Life.
Os belos bonecos com seus cabelos sofisticados e shapes caros, ao final, não têm a menor importância.
Aqueles que devemos identificar e denunciar às autoridades competentes são as pessoas reais.
Cabe somar esforços sempre que possível, trocando informações e referências diversas, para que possamos, senão erradicar essas pessoas do grid, diminuir consideravelmente seu número ou dificultar sua atuação.

Grande abraço a todos.

Kallikrates Stenvaag
Kallikrates Stenvaag é residente do metaverso
Second Life desde Junho de 2007
; atua como
instrutor e palestrante, falando sobre plataformas
x86 na RL.

Golpes em operações de venda de Lindens no universo virtual Second Life – 1ª parte

Há poucos dias de completar quatro anos de experiência no interior do universo virtual Second Life, e depois de um ano e meio à frente de uma pequena operação de compra e venda de Linden dólares ( L$ ), a moeda usada no interior do metaverso, acredito que chegou a hora de registrar algumas impressões, compartilhar algumas experiências e expor aqui algumas histórias sobre fraudes, golpes, pessoas absolutamente mal intencionadas e criminosos usando a plataforma, a princípio fantástica e de imenso potencial, para fins realmente vergonhosos.

Ao longo desse ano e meio movimentando pouco mais de uma dezena de milhão de Lindens, deparei-me com alguns casos realmente impressionantes.
O primeiro que vale registrar, e que vai consumir todo esse primeiro texto sobre fraudes, golpes e golpistas, é o de uma garota de Campinas, no interior de São Paulo, que vamos identificar aqui apenas pelo primeiro nome, Carina, ainda que tenhamos, eu e os demais envolvidos em um trabalho de pesquisa sobre essas questões, uma quantidade impressionante de informações sobre sua atuação como estelionatária, dentro e fora do universo virtual. Partindo de um PC instalado em uma casa simples no bairro Santa Rosa, em Campinas, a garota em questão, através dos avatares Carina Asamoah, criado em 14 de Fevereiro de 2009, Carina Brandi, criado quatro dias depois, e Bela Nansen, de 10 de Novembro do mesmo ano, construiu, a partir do último trimestre de 2009, todo um histórico de golpes em falsas operações de venda de Lindens, provavelmente sem igual na base de usuários brasileiros do Second Life. Não podemos precisar o número de pessoas enganadas em transações envolvendo venda de Lindens que jamais foram entregues, mas certamente dezenas de pessoas foram enganadas por Carina, e alguns milhares de Reais foram levantados nessas operações.
Os valores “ angariados ” em cada golpe vão, nos casos que conseguimos levantar, de R$ 20,00 a R$ 450,00, em depósitos e transferências online feitas para contas de Carina na Caixa Econômica Federal e no Unibanco, hoje Itaú.
A conta da Caixa Econômica Federal foi bloqueada em Junho de 2010, após uma queixa formal feita por um publicitário de Fortaleza ( CE ) junto à instituição, depois de enganado por Carina naquilo que seria uma compra de R$ 450,00 em Lindens.

Usuários mais experientes do Second Life certamente já ouviram falar dos avatares de Carina, e os associam a fraudes e golpes diversos. Eu mesmo fui abordado no fim de 2009 por Bela Nansen, que me fez uma oferta de R$ 300,00 em Lindens a uma excelente cotação, em uma negociação que só não foi adiante na ocasião, porque apresentei como primeira opção para o formato de pagamento, a possibilidade de entregar à garota o valor “ em mãos ”, uma vez que vou a Campinas com certa freqüência a trabalho. Colocada essa possibilidade como minha melhor opção, Carina simplesmente fechou os canais de comunicação e não mais consegui contatá-la.
Em meus círculos de contatos há pelo menos uma dúzia de pessoas que foram enganadas por ela, e eu mesmo, para confirmar sua atuação como golpista e conseguir a exigida “ prova ”, em certa ocasião fiz um depósito em sua conta do banco Itaú, após uma negociação com um avatar secundário, para, conforme esperado, não receber os Lindens correspondentes e confirmar que todos os canais de comunicação com esse avatar foram também “ fechados ”.

Fora do Second Life, trata-se de uma pessoa contra a qual constam dezoito queixas nas bases de dados do SPC ( Serviço de Proteção ao Crédito ), ali registradas por empresas das mais diversas áreas de atuação, de produtos de beleza e operadoras de cartões de crédito a grandes bancos e empresas da área de telefonia. Não exatamente uma cidadã-modelo, como se pode ver.
Em meio a toda essa história, Carina se apresentou algumas vezes em conversas que tenho em meus históricos do Second Life e do Messenger, como Patricia ( novamente cabe usar apenas o primeiro nome ), me passando inclusive números válidos de documentos da garota, para minha surpresa.
Feita a devida pesquisa, surge a informação de que Patricia é na realidade ex-companheira do marido de Carina, com a qual inclusive teve uma filha, hoje com 12 anos. O que mais me impressionou foi descobrir que Patricia, que hoje teria 32 anos, provavelmente já está morta, segundo sua mãe, com quem tive oportunidade de conversar pessoalmente. A garota teve a vida destruída após envolver-se com o uso de drogas no fim dos anos 90, e cumprir pena por tráfico em duas penitenciárias de São Paulo, de 2004 a 2009, tornando-se posteriormente, segundo a mãe, moradora de rua, praticamente insana e fisicamente irreconhecível, por conta do uso prolongado de crack. Realmente uma pena.
Muito impressionante, não ?
Foi muito triste ver chorar a mãe de Patricia, pela filha “ perdida ”, e por saber que na Internet uma estelionatária usa sua identidade, quando questionada sobre quem está por trás de seus avatares, ainda que a conta bancária usada em sua operação deixe claro de quem se trata.

Muitos criminosos acreditam que poderão atuar indefinidamente, sem que um dia tenham que responder pelo que fizeram. Com Carina não poderia ser diferente; questionada ou acusada, ela se defende, dizendo não se tratar dela ou simplesmente lançando uma avalanche de ofensas contra seus acusadores, uma vez que sua formação geral paupérrima a impede de construir argumentos mais elaborados nesses momentos.
Ao ler esse texto, onde não há absolutamente nada fictício, e onde as informações apresentadas, junto a tantas outras que não cabe aqui registrar, e que são resultado de centenas de horas de pesquisa em “ n ” bases de dados, e de conversas com pessoas que conviveram longamente com aquelas aqui mencionadas, muitos certamente vão colocar em discussão o seguinte ponto : como pode essa pessoa estar atuando até hoje no interior do Second Life, sem perder suas contas ?

Aqui, é importante nos lembrarmos do seguinte : já ficou muito claro que os canais disponibilizados pela Linden Lab para denunciar esse tipo de atividade raramente são “ efetivos ”, ainda que a cada denúncia feita em conferences e grupos diversos no interior do metaverso, no sentido de alertar a comunidade brasileira de usuários contra criminosos como Carina, surjam hordas de defensores cegos dos Termos de Serviço, o tão famoso TOS, para atacar os responsáveis pela denúncia, e defender a idéia de que fazer circular alertas e denúncias pelo metaverso não é uma opção válida.
O que é preciso deixar muito claro é que os belos “ bonecos ”, ou a “ conta ” associada a cada um deles, são de importância secundária. Cabe denunciar a pessoa, o criminoso por trás do avatar, nesse caso um estelionatário usando a Internet como meio para atuar.
No caso de Carina , a denúncia foi feita, e há um trabalho em curso nos bastidores, a cargo de um tenente-coronel da Polícia de Belo Horizonte ( MG ), responsável por uma equipe especializada em fraudes na Internet.
Deve levar algum tempo até que Carina seja devidamente “ questionada ” por uma autoridade, mas ela não vai ficar impune.

Quanto à atividade de venda de Lindens fora do canal dito oficial, o Linden Exchange ou Lindex, independente das muitas interpretações sobre a legalidade ou não da operação no geral, é fato que existem dúzias de negociadores de moeda estabelecidos no interior do Second Life há muito tempo, e há um número imenso de usuários que não podem, por “ n ” razões, comprar Lindens usando cartões de crédito e afins, o que abre um grande espaço de atuação para operações de “ câmbio ” no interior do grid. Cabe alertar nossos contatos para que evitem fazer negócio com “ fantasmas ”, com seus perfis em branco, ou que não trazem absolutamente nenhuma informação válida sobre quem está por trás do avatar.
Como fazer negócio com alguém que se nega a informar quem é ou a abrir qualquer canal para comunicação, como ceder um número de telefone, por exemplo ?
Pessoas não fazem negócios ou transferem valores para “ fantasmas ” na RL; por que fazê-lo no interior do Second Life ?

Com relação a Carina, o registro está feito.
Mais interessante do que veicular alertas em conferências ou fazer circular notecards no interior do Second Life, é deixar registrado todo este histórico, em um espaço onde o texto está permanentemente disponível.

Em uma segunda parte, vamos retomar a questão, contando outros casos que não foram tão ricamente documentados e pesquisados, mas que vale igualmente registrar.
Aos que foram enganados e roubados por Carina, que se manifestem.
Que ela pague o justo preço e vá passar uma temporada, breve que seja, na cadeia, onde há serviço cinco estrelas e instalações de alto padrão, para aqueles como ela.

Abraço a todos e até breve.

Kallikrates Stenvaag
Kallikrates Stenvaag é residente do metaverso
Second Life desde Junho de 2007
; atua como
instrutor e palestrante, falando sobre plataformas
x86 na RL.

Papéis

Tem nos impressionado nos últimos tempos a atividade de analisar e refletir sobre os “ papéis ” que alguns usuários do universo virtual Second Life se propõem a “ encenar ”.

Dado o grau de liberdade que se pode experimentar em uma plataforma como o Second Life, onde restrições físicas, distâncias e limitações causadas por compromissos e responsabilidades diversas da vida real inexistem, alguns usuários mais experientes, que sofrem de certas carências ou da falta de certos referenciais em suas vidas cotidianas, referenciais esses que levariam a escolhas e comportamentos razoavelmente equilibrados, se “ perderam ” em meio aos encantos do mundo virtual ao longo de suas experiências, e já não têm mais referências claras do que separa o universo virtual de suas experiências fora do grid, no mundo real; seduzidos pela possibilidade de recuperarem a juventude perdida, ou de atuarem em contextos ousados, desdenhosos para com as convenções e regras de conduta que os esmagam em suas realidades, há tempos passaram a ser “ avatares ”, independente de estarem conectadas ou não.

Muito provavelmente estas reflexões sobre comportamentos e seus desvios trarão muito mais questionamentos do que respostas. De qualquer maneira, o objetivo maior é menos definir do que evidenciar. Observar e tentar discernir, em cada “ pessoa-avatar ”, a motivação intrínseca à decisão de viver uma vida virtual “ ousada ” e não convencional. Talvez muitos tenham para si que não há motivos realmente sérios para esse nascer, ou, pelo menos, não tão pensados. Mesmo sem que se possa identificar claramente os motivos, até mesmo na própria construção de um avatar, enxerga-se, sem a necessidade de muitas lentes, a necessidade humana de viver outros papéis.

Vemos todos os dias, em nossa experiência no mundo virtual, pessoas que assumem papéis que as nortearão até o fim da existência. Sim, até o fim, porque a morte é certa nas duas vidas. Se na primeira ela é uma ocorrência orgânica inevitável, na segunda, desinteresse e frustrações diretamente relacionadas às escolhas e vivências de certos papéis são igualmente letais. Enquanto alguns viverão experiências ricas e produtivas como construtores, criadores de conteúdo, proprietários ou gestores de negócios inovadores e empreendedores à frente de projetos de caráter cultural, entre tantas outras possibilidades, outros terminarão por somar experiências opostas e danosas ao seu “ eu real ”, vivenciando o papel de escravos sexuais estranhamente orgulhosos de terem sido “ collared ”, pessoas em busca de infindáveis relacionamentos fabricados que se consomem em conflitos, atritos e humilhação em formatos diversos, além dos que manifestam no interior do grid suas facetas mais aberrantes, como os molestadores e corruptores à procura de saciar vícios e deficiências que claramente pedem por tratamento. Sobre a questão das experiências ligadas à sexualidade no interior do metaverso, vale registrar que explorar a sensualidade no grid em formatos ditos “ ousados ” é obviamente uma possibilidade válida, a partir do momento que não impõe sofrimento, desrespeita ou submete a constrangimentos o outro lado envolvido.

Todos vivemos papéis, e a maneira adequada e até terapêutica de vivê-los no simulador, será necessariamente ligada ao desenvolvimento cognitivo, social, afetivo e emocional. A felicidade no interior do mundo virtual parece ser um estado que se pode alcançar através de processos de criação e aprendizagem, potencial maior do metaverso. O ato de criar encobre a face humana do indivíduo e lhe expõe a face sagrada. A escolha de um papel precisa estar motivada por uma necessidade de experienciar algo novo e que traga desenvolvimento. Se na vida real algumas vezes não podemos arriscar, sejam bem vindos ao paraíso, onde nenhuma ousadia deve faltar.

Parece-nos, cada vez mais, que aos espontâneos, que podem ousar revelar suas verdadeiras identidades no interior do mundo virtual, o caminho até uma experiência válida, produtiva e feliz no interior de plataformas como o Second Life, será mais curto e menos acidentado.
Em linhas gerais, a espontaneidade é a característica chave da busca individual em ser melhor. O conceito de ser espontâneo reúne, num comportamento, características de flexibilidade, leveza e facilidade em modificar-se de acordo com as necessidades de cada momento. Ser espontâneo significa usar as opções pessoais, numa aplicação rica em favor de si próprio. A pessoa espontânea é crescida e tende a crescer mais pela consciência de si mesma. Não há preconceitos para os espontâneos e suas ilusões são diminuídas pelo seu equilíbrio emocional, portanto seu nível de sofrimento é inferior e mais curto do que o de uma pessoa em situação oposta. É um adulto capaz de discernir e trabalhar em favor de suas necessidades.

Que possamos todos atingir essa condição de maior equilíbrio e, cientes de quem somos e do que buscamos, fazermos de nossas experiências de vida, seja em qual plano for, virtual ou real, algo mais feliz.

Por Kallikrates Stenvaag e AmabileSciavo Olivieri.
Versão revisada de Papéis, originalmente escrito
para a edição 17 da revista Inner World,
disponível em http://www.inner-world.org/ed_17_pt.html

Kallikrates Stenvaag
Kallikrates Stenvaag é residente do metaverso
Second Life desde Junho de 2007
; atua como
instrutor e palestrante, falando sobre plataformas
x86 na RL.

AmabileSciavo Olivieri
AmabileSciavo Olivieri é residente do metaverso
Second Life desde Junho de 2009
;
é psicóloga e atua na área de educação na RL.

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